Música Aquática

Música Aquática é um conjunto de peças curtas compostas pelo compositor inglês de origem alemã, George Frideric Handel (1685-1759), para orquestra. As peças são conhecidas, principalmente, por seus movimentos animados na forma de dança. A obra estreou em um passeio de barco pelo Rio Tâmisa, e proporcionou entretenimento para o evento organizado pelo rei George I da Grã-Bretanha, em 17 de julho de 1717. Quando o rei planejou o passeio de barco, ele pediu a Handel que compusesse a música na forma de uma composição orquestral para cerca de 50 músicos. Handel preparou uma seleção de peças que, algum tempo depois, ficariam conhecidas como Música Aquática e que, de acordo com algumas fontes, eram peças escritas para um conjunto de flautas, flautas de bisel, oboés, fagotes, trompetes, trompas, violinos e baixos. Não há menção de que Handel tenha utilizado nessa apresentação cravo e tímpanos, que costumam ser incluídos em apresentações contemporâneas. Provavelmente, como esses instrumentos são muito sensíveis à humidade, podem ter sido adicionados depois para as apresentações em locais fechados. A quantidade de músicos empregados na primeira apresentação se explica por tratar-se de um evento ao ar livre que necessitava de mais massa sonora. O rei ficou tão satisfeito com o trabalho do compositor, que pediu para que a orquestra tocasse repetidas vezes, alcançado um total de quatro apresentações com duração de cerca de uma hora cada. Os músicos começaram a tocar por volta das 20h e tocaram continuamente até às 23h, quando pararam para o jantar do rei. Após o jantar, eles reiniciaram a apresentação repetindo o mesmo repertório por mais duas vezes.

Àquela época, as peças que faziam parte da apresentação no Tâmisa formavam um compêndio de músicas para trompas e trompetes selecionadas de trabalhos anteriores e, posteriormente, após a morte de Handel, organizadas em forma de suítes (Suíte em Fá Maior, HWV 348 e Suíte em Ré Maior, HWV 349). A Suíte em Sol Maior para flauta, HWV  350, não aparece em nenhuma das partituras autógrafas existentes, e só foi considerada como parte da obra devido a primeira edição publicada em 1733 pelo editor John Walsh (1665 ou 1666-1736). Nessa edição, os movimentos não estão separados por tonalidade, mas em uma sequência que, talvez, reflita a maneira como o compositor os tenha organizado para o evento de 1717, e em apresentações posteriores. Essa ideia é compartilhada por musicólogos ao sugerirem que, como a Suíte em Fá Maior não tem um movimento conclusivo e a Suíte em Sol Maior não possui um movimento de abertura, essa suíte pode ter sido empregada para fazer a transição entre a Suíte em Fá Maior e a Suíte em Ré Maior, concedendo à obra o formato de uma só peça, e não três suítes separadas como são comumente conhecidas hoje.

Nessa gravação, optamos por seguir a ordem como publicada por John Walsh em 1733 por conferir uma sequência lógica, embora, seja impossível afirmar qual a sequência adotada por Handel na apresentação de 1717 e posteriores. Os nomes de determinados movimentos entre [chaves] não constam das partituras remanescentes e foram indicados por nós, após cuidadoso estudo da obra e de outros elementos históricos.

Uma questão relevante deve ser considerada: nenhuma grade orquestral foi encontrada e as partituras que sobreviveram são das partes dos instrumentos. Entre essas não há partitura para tímpanos, contudo, como era comum no Período Barroco que o timpanista tocasse sua parte a partir da partitura do trompetista, para essa gravação, adicionamos partes escritas para tímpanos.

Moisés Cantos

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